Manuscritos de Qumran


Os Manuscritos de Qumran e as Cavernas do Mar Morto
     
     Na primavera de 1947 no deserto da Judéia, litoral do Mar Morto, acampava uma tribo semi-beduina conhecida como Taamireh. Próximo a aldeia de Khibet Qumran, um jovem pastor árabe, Muhammed adh-Dhib, iscando sua cabra, descobriu ao acaso uma série de ingressos de grutas no flanco de uma perigosa escarpa.
     Contando sua experiência ao irmão. Ahmed Muhammad, encontraram vasos contendo rolos de couro; concluindo que poderiam conseguir algum dinheiro venderam-no a um negociante de antiguidades, Khalil Iskander Shahin, conhecido como Kando em Belém, sete grandes rolos.
      Athanasius Y. Samuel, arcebispo metropolitano do Mosteiro São Marcos, em Jerusalém, tomou conhecimento dos rolos, adquirindo quatro deles; e outros três, o professor Eleazer Lipa Sukenik, da Universidade Hebraica de Jerusalém.
     Em 1954, nos cofres do hotel Waldorf Astoria de New York, não conseguindo fazer fortuna com os rolos, nos Estados Unidos da América, Athanasios colocara um anuncio no Wall Street Journal, onde o General Yigael Yadin, chefe do Estado-Maior do Exército Israelense, e filho do professor Eleazer, os compraria pelo preço de 250.000 dólares.
      Analisados, os manuscritos comprovaram-se os mais antigos já descobertos, o mais conservado apresenta uma cópia do livro de Isaías 1 e B; os demais manuscritos eram o manuscrito de Lameque, conhecido como O Apócrifo de Gênesis, que apresenta um relato ampliado do Gênesis; A Regra da Guerra que descreve a grande batalha final entre os filhos da luz e os filhos das trevas, sendo os descendentes das tribos de Levi, Judá e Benjamim retratados como os filnos da luz, e os edomitas, moabitas, amonitas, filisteus e gregos representados como os filhos das trevas.  
      Havia também um pergaminho com Os Hinos de Ação de Graças (Hodayot), uma sequencia de 33 Salmos que eram cantados, em cultos de adoração ao Criador, e comentário de H abakkuk.
      Dois anos após a experiência daqueles jovens beduínos, dois arqueólogos, G.L.Harding e R. De Vaux, auxiliados por habitantes daquela região do Mar Morto, iniciaram novas buscas nas proximidades daquela caverna que viria a ser conhecida como Gruta 1.
      Nasciam duas diferentes comissões, independentes; uma por Yigael Yadin, em Israel, e outra controlada pelo Padre Roland de Vaux, um sacerdote católico, na Jordânia. Com o péssimo relacionamento entre os dois países, estas comissões trabalharam os manuscritos de forma completamente independentes.
      No mês de fevereiro de 1952, encontraram finalmente, ao sul da Gruta 1, a Gruta 2, na qual encontrou-se dezessete manuscritos bíblicos e uma porção maior de partes de manuscritos não-bíblicos. Ao todo 187 fragmentos.
      A atenção dos arqueólogos e pesquisadores voltou-se para as cavernas do Mar Morto; até que no dia 14 de março, encontraram a Gruta 3. Além de centenas de fragmentos de manuscritos, encontrou-se nesta caverna um documento muito especial: três folhas de cobre muito fino, cada qual medindo 0,30 m pôr 0,80m, que examinados se compunham-se originalmente num único rolo, suas extremidades traziam as marcas de seus ligamentos; estes traziam detalhadas informações sobre as demais grutas que continham 63 documentos e tesouros escondidos no deserto da Judéia.
      Na Gruta 4, a mais famosa de todas as cavernas do Mar Morto, mais de 15.000 fragmentos de mais de 200 livros foram encontrados. 122 rolos bíblicos (ou fragmentos) foram achados.
      Depois da descoberta da Gruta 6, em setembro de 1952, as buscas foram intensificadas, não trazendo, contudo, nenhuma nova descoberta pôr um período de quase três anos, até que na manhã do dia 02 de fevereiro de 1955, foram agraciados pela descoberta da Gruta 7, e, entre este dia ao dia 06 de abril daquele ano, haviam sido descobertos a Gruta 8, 9 e 10. Em janeiro de 1956, quatro irmãos beduínos encontraram a Gruta 11, onde foram encontrados jarros com livros deteriorados, e dois rolos muito conservados: O livro de Levítico e o livro de Ezequiel, e outro grande rolo, o livro de Melquisedeque; o rolo do templo, o qual esteve sob a posse de Khalil Iskander Shah (Kando) até 1967, quando ele, após ter sido preso por Yigael Yadin, concordou em vende-lo por 110.000 dolares.
      Este na verdade, consistia numa sequência de sete manuscritos costurados uns aos outros. Dos sete, os seis últimos traziam neles um relato minucioso da história do Universo, desde sua origem até a consumação dos tempos; o primeiro manuscrito trazia dois relatos distintos: O primeiro conta a história do livramento de Ló e de muitos habitantes de Sodoma que haviam sido levados cativos por um grande exército, e acompanhado por apenas 318 pesssoas, Abraão, sob a orientação de Yahuh ( Senhor ) conquistou-lhes o livramento, triunfando sobre aqueles inimigos (Gen.14 e 15); Essa narrativa inicial continua até a destruição de Sodoma e Gomorra, seis anos após.   O segundo relato do primeiro rolo, traz a história de Salém.
      Por ocasião das descobertas das onze grutas, os territórios do Mar Morto encontravam-se sob jurisdição da Jordânia, cujo governo garantiu direitos exclusivos de estudo a oito especialistas liderados pelo padre Roland de Vaux, do centro bíblico e arqueológico de Jerusalém, que vedou o acesso de qualquer pesquisador judeu aos pergaminhos.
      Em 1967, por ocasião da Guerra dos Seis Dias, Israel, ao conquistar a margem ocidental do Jordão, adquiriu o controle dos documentos, como despojos de guerra, inclusive os rolos de Qumran conservados no Rockfeller Museum, e, também só permitiu que um pequeno grupo os estudasse. Alguns foram traduzidos e divulgados, mas o mundo continuou desconhecendo o que havia na maior parte daquele tesouro.
      Houve significativa reação do Padre De Vaux; conta-se que o que permaneceu em mãos Jordanianas impedindo que Hebreus tivessem acesso, quando passaram sob autoridade israelita, deixou-o enfurecido e aterrorizado à idéia de perder o controle dos manuscritos qumraniano.
      Baigent, Leigh e Lincoln narram que De Vaux era um dominicano que havia sido enviado, em 1929, à École Bíblique de Jerusalém, onde primeiro foi professor e depois diretor, e era homem carismático, enérgico, autoritário e carola.
      Entretanto, o governo israelita ocupado com assuntos diferentes que os manuscritos, deixou a De Vaux a responsabilidade de supervisionar o trabalho de análise, dando-lhe o encargo de formar e dirigir uma equipe internacional, ampla, caracterizada pela presença de diferentes componentes na garantia de uma gestão não parcial dos trabalhos, cujo compromisso era publicar o quanto possível os resultados destas; e, assim não ocorreu, os israelitas não foram convidados, e os componentes selecionados eram, católicos, não laicos, de ideologias de forte conotação : Franck Cross, do McCormick Theological Seminary Chicago; Monsenhor Patrick Skehan, diretor do Albright Institute; Padre Jean Starcky, da École Bíblique; Padre Maurice Baillet, Francês; Padre Josef Milik, polonês; John Allegro, personagem não tão enquadrado com os outros, que logo fora extraditado e substituído por John Strugnell, o qual oferecia maiores garantias de alinhamento. Vê-se, na prática, que De Vaux, expoente da asa tradicionalista conservadora da igreja romana, criou o restrito grupo internacional de católicos.
      Em 1992, após 25 anos de monopólio absoluto daquela equipe, sob a enorme quantidades de críticas internacionais contra o absurdo de um grupo de pesquisadores, tratar como propriedade privada arqueologias daquela extraordinária importância, muitos daqueles rolos acabaram sendo publicados; ainda assim, residindo à suspeita de que parte daqueles documentos continuaram desconhecidos à coletividade, à profunda influência cultural, que continua a condicionar o endereço interpretativo causado por esses monopólio.
Sómente, em setembro de 1990, os manuscritos começaram a ser mais amplamente divulgados, quando dois estudiosos do colégio Hebreu de Cincinatti, nos Estados Unidos, Benzion Wacholder e Martin Abegg, tiveram acesso a uma cópia de um código de referências (relação de palavras com sua posição nos diferentes manuscritos) dos pergaminhos.
      Por razões de segurança, o governo israelense havia distribuído algumas cópias desses quebra-cabeças por instituições judias em todo o mundo, além de ter depositados microfilmes dos pergaminhos sob a guarda de oito bibliotecas, a maioria nos Estados Unidos, com o compromisso de não serem divulgados. No final do ano de 1999, rompendo com todo o cerco, a biblioteca Huntingdon, de los Angeles, liberou a consulta para estudiosos de todo o mundo.
      Dentre os sete rolos que foram encontrados na Gruta 11 pelos beduínos, foram declarados autênticos os seguintes manuscritos: Livro de Salmos, Livro de Levíticos, Livro de Ezequiel e o Livro de Jó. Os rolos restantes; o manuscrito sobre a Nova Jerusalèm, o segundo rolo de Salmos e o Livro de Melquisedeque, foram declarados pelos peritos como apócrifos.

























 

Manuscritos do Mar Morto
 
 
 
O Livro de Isaias (Originais)

 
 


Post by Debarim